As Bases da Constelação

“Somente quando estamos em sintonia com o nosso destino, nossos pais, nossa origem e tomamos o nosso lugar, temos a força.” Bert Hellinger

A Constelação Sistêmica Familiar é um método psicoterapêutico criado por Bert Hellinger, terapeuta, teólogo e filósofo alemão que se aplica tanto para grupos como em atendimentos particulares. É definida como uma ‘terapia breve’, pois numa única sessão, nos desperta consciência sobre os elos que nos vinculam ao passado familiar e fazem com que traumas, conflitos, perdas, doenças, mortes e padrões negativos se repitam geração a geração, em nosso sistema familiar.

Pela minha percepção, o método de Hellinger trabalha em nome do AMOR, demonstrando que, por uma lealdade às exclusões e dores do passado familiar, revivemos padrões limitantes de crença, atitude e emoção, impedindo nossa vida de seguir seu fluxo natural, equilibrado e próspero. E a cura acontece pela reconhecimento e aceitação das energias ocultas ligadas à alma familiar, que são demonstradas por meio do Campo Fenomenológico, onde representantes assumem o lugar simbólico de membros da alma familiar do cliente e/ou emoções ligadas à questão/problema. Sua eficácia é admirável, pois permite desatar ‘emaranhados’ psíquicos e emocionais, através de uma dinâmica sem diálogos racionais.

SISTEMA FAMILIAR:

Herdamos de nossos ancestrais, não apenas o patrimônio genético, mas também um sistema de crenças e de comportamento, que é definido por fatores bem particulares, como: o país de origem da família, a crença religiosa, acontecimentos marcantes na história dos nossos bisavós e avós, mortes (assassinatos, abortos, guerra, suicídio, etc.) e exclusões de membros da família (por doença psiquiátrica, má conduta, prisão ou até envolvendo traições, trapaças, episódios de agressão ou violência, entre outras possibilidades).

Tais energias herdadas podem servir tanto para impulsionar o nosso caminho de vida como podem bloquear nossa alegria de viver, limitar a visão de mundo, reduzir nossa coragem para viver o desconhecido e enfrentar os desafios da vida. E, por vivermos tudo isso sem consciência, alguns padrões de comportamento ou situações parecem ser repetitivos em nossa vida. São energias que se mantem vivas em nosso íntimo, em honra aos excluídos de nosso sistema e a tudo aquilo que foi negado no passado.

“Fazer a sua Constelação Familiar significa trazer força e equilíbrio a você e todo o seu sistema familiar.”

Neste sentido, as Constelações nos ajudam a olhar para a ancestralidade de forma mais integrativa e com compaixão. Na medida em que nos rendemos às leis ou ordens que regem nosso sistema familiar, podemos compreender a vida a partir de um plano livre de julgamentos, de moralidade, culpa ou vitimismo. O que ocorreu é parte do passado e ao dizer SIM para tudo aquilo que foi, você recebe a força da ancestralidade, que te fortalece e apóia.

Ao ficar apenas com sua parte de responsabilidade na história familiar, você desperta a humildade e pode respeitar as escolhas e atitudes que eles tiveram. Eles têm a responsabilidade pelo que viveram e você não pode mudar nada disso. A você cabe apenas aceitar e trabalhar o autoconhecimento para que suas escolhas atuais sejam cada vez mais conscientes e responsáveis, o que irá lhe permitir viver com abundante energia amorosa, recebendo a força das suas raízes para evoluir do presente ao futuro!

PRINCÍPIOS E ORDENS DO AMOR

O princípio básico é que ninguém é absolutamente sozinho ou isolado neste mundo. Pertencemos a um sistema familiar e ocupamos um lugar único neste campo de energia. Nossa família é correta como se apresenta: temos o pai e mãe adequados e somos o filho (a) adequado a eles!

Cada família tem sua própria dinâmica de vinculo. Mesmo que ocorram muitos conflitos ou relacionamentos tóxicos, todos os membros da família (por laços consanguíneos) tem o mesmo direito de PERTENCIMENTO. E também pertencem ao sistema familiar aqueles que tiveram uma relação significativa com a família ou foram afetados diretamente por algum membro (aqui se incluem os relacionamentos extraconjugais, sócios, envolvidos em episódios de conflito, guerras, etc.) Todos os membros de uma família merecem atenção. Se alguém é expulso ou excluído, ele será representado por um membro das gerações seguintes, que evidenciará um destino similar.

Há uma ordem nas famílias que precisa ser respeitada: trata-se da HIERARQUIA. De acordo com esta organização, as pessoas que vieram primeiro tem prioridade de reconhecimento (seja dos pais em relação aos filhos, seja na ordem entre irmãos ou quanto a relacionamentos anteriores). E os outros devem respeitar esta ordem cronológica, sem julgamento ou valorização. , apenas percebidos como são.

E há também um princípio de equilíbrio energético, que dita sobre a relação de DAR e RECEBER. Nesta ordem, os pais ficam à frente de seus filhos: eles dão a vida, sem exigir compensação alguma dos filhos. E o papel dos filhos é o de aceitar e receber, seguindo adiante sua jornada na vida, com o compromisso de frutificar o sucesso de sua própria vida (seja através da constituição de uma família com filhos ou de obras sociais, projetos de vida significativos).

Um outro ponto que tem forte influência no sistema são as mortes precoces de um membro da família. Neste sentido, os abortos, filhos natimortos, perda dos pais quando a criança é ainda muito pequena, geram uma energia de peso que fica presente no sistema familiar e afetará especialmente as crianças. Isto pode ser expresso através de um comportamento de apatia, depressão ou mesmo por meio de doenças fatais e comportamentos autodestrutivos que envolvem risco de vida ou uso de drogas, de membros que se aliaram a estas perdas e repetem os sentimentos não incluídos (como se ajudassem a carregar estes sentimentos, por assim dizer).